quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona

Mila: Hoje fui no cinema ver Marley e EU, mas me deparei com uma fila gigantesca no Iguatemi, então fui pro Sesi, tinha esquecido como era bom comer pipoca com manteiga e sentar em uma poltrona confortável!

Vitor: Eu nunca vi nada no Sesi. Nem sei onde é, pra ser sincero. E viu o que afinal?

Mila: Fui ver o aclamado Vicky Cristina Barcelona. Bem, eu ia ao Sesi desde que ele era o Art Pajuçara! É um cinema menor, mas sempre foi muito aconchegante.

Vitor: Eu nunca fui... Já vi Vicky faz um tempinho. E sinceramente, gostei, mas não tenho muita mais coisa dele em mente. Já falei dele aqui.Woody é sempre acima da média, mas ele já fez coisas bem melhores.

Mila: Então, eu faço as honras: é uma história de 2 amigas que vão passar o verão em Barcelona e lá conhecem um pintor um tanto quanto pitoresco. As 2 ficam envolvidas com ele. Daí pra frente a história se desenrola!

Vitor: Sim. Meio mal desenrolada, mas desenrola. Esse é o tipo de filme que com o passar tempo vai perdendo o encanto. Eu gosto menos do que quando vi e escrevi a minha crítica no meu outro blog.

Mila: Achei o filme muito bom, primeiro porque tem um estilo um pouco diferente de contar a história, segundo porque ele tenta quebrar alguns estereótipos. Além do mais, eu gostei da história! Não é a coisa mais interessante do mundo, mas ela nos prende a atenção!

Vitor: Não achei diferente não. Aquele narrador onisciente é comum nos filmes dele. E explica coisa demais. Coisas que são irrelevantes (tipo, Vicky foi no banheiro e trocou o seu OB), ou então fáceis de serem captadas. E as personagens são engraçadas e tal, mas não tão bem delineadas. A Penélope Cruz que já ganhou vários prêmios por esse filme, sobreatua o tempo inteiro. Nos vendem a imagem de uma mulher sexy, atraente, inteligente e cativante, e quando ela aparece ela é uma louca histérica que dá escândalo a cada 5 minutos. De atraente não tem nada.

Mila: O que você quer dizer com sobreatua?

Vitor: Exagera. Faz mais coisas do que é necessário.

Mila: Bem, ao meu ver, o narrador, que é realmente exagerado nos detalhes, deu um tom cômico e a Penélope também! E falei que a narrativa é um POUCO diferente porque difere da grande maioria dos filmes. E se está em todos os filmes dele, então é uma marca dele. E, por falar em outros filmes, quais os outros filmes que o Woody fez?

Vitor: Mais de 40. Annie Hall (oscar de melhor filme no fim dos anos 70), A Rosa Púrpura do Cairo (o meu favorito), Hannah e Suas Irmãs, Maridos e Esposas, Crimes e Pecados, O Sonho de Cassandra, Match Point, Scoop, Poderosa Afrodite, O Escorpião de Jade, Poucas e Boas. Celebridade, Tiros Na Broadway, Desconstruindo Harry, Manhattan, Melinda Melinda, Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão, Todos Dizem Eu Te Amo, Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo, Zelig, Igual a Tudo na Vida e muitos outros.

Mila: Daí só assisti O Sonho de Cassandra, Scoop e Match Point!

Vitor: Bom, narração existe em diversos filmes. Nesse estilo eu lembro Menina de Ouro, Pecados Íntimos, além dos próprios filmes dele. Além de Benjamin Button, Forrest Gump, etc. A Penélope dá vida ao filme, porque ele é monótono enquanto ela não aparece. Ela é meio engraçada na tela, mas na vida real, no dia-a-dia, ela seria engraçada? E ela não é o que a história propõe. A mulher arrebatadora e interessante. É só uma descontrolada passional.

Mila: Bem, eu não tive essa ilusão porque quando falam sobre o relacionamento dela com o marido, eu imaginei uma louca mesmo! Quanto à narração, não tem jeito, não concordaremos... Mas provavelmente eu não assitiria o filme de novo porque a história é apenas uma história! Mas acho que vale à pena conferir! Agora me diga porque estavam dizendo que o Woody estava imitando o Almodóvar nesse filme, não é só pela Penélope, é?!

Vitor: É parecido pelas mulheres loucas, os cenários e as músicas de fundo. Além do Javier, que já fez muito filme do Almodóvar. Mas também são características do Woody as chatas neuróticas. Só que nenhuma delas têm tanta vida quanto as de Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, por exemplo. E o Woody varia. Normalmente quando ele atua, ele faz esses papéis (nesse filme, a Vicky seria ele). O que não deixa de ser ele mesmo dentro das histórias.

Mila: Bem, termine a ficha técnica para que possamos ir dormir!

Vitor: Direção e roteiro, Woody Allen. Elenco: Scarlet Johansson, Rebecca Hall, Javier Barden, Penelope Cruz e Patricia Clarkson.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button // The Curious Case Of Benjamin Button

Vitor: Já conferiu a nova obra de David Fincher?

Mila: Claro que sim, você me fez uma recomendação muito boa, eu não poderia perder. Eu adorei o filme, ou melhor, amei o filme! Devo dizer que há muito tempo não via um filme tão bom e com uma história tão interessante e diferente (é, eu adoro coisas diferentes). Mas, como sempre digo, se o filme é bom, o livro deve ser perfeito. O livro tem mais méritos pelo simples fato de a história, que é o bom do filme, partir dele.

Vitor: Falei sobre ele aqui. O filme veio de um conto, não de um livro na verdade. É um conto de F. Scott Fitzgerald publicado em uma revista e que depois foi publicado num livro junto com diversos outros contos.

Mila: Um conto bem antigo de 1921.

Vitor: E é uma adaptação, ou seja, o roteiro foi baseado nele. Criaram uma extensão da história do conto. Foi mais ou menos o que fizeram com Brokeback Mountain.

Mila: Bem, já que é uma adaptação não dá para comparar.

Vitor: Normalmente é assim. Mesmo quando são de livros. Até pra não ser exatamente a mesma coisa.

Mila: Quem é esse diretor que suponho não conhecer?

Vitor: David Fincher é o diretor de Seven, Quarto do Pânico, Clube da Luta e Zodíaco.

Mila: Muito bom! Gostei de todos eles, só o zodíaco que me deixou um pouco impaciente por ser um pouco longo!

Vitor: O roteirista é o eric Roth, o mesmo de Forrest Gump. No elenco os três principais são Brad Pitt e Cate Blanchett, que dispensam apresentações, e Taraji P. Henson, que fez Hustle and Flow, que eu não sei o nome em português. O filme é brilhante. A narrativa me lembra muito Forrest, e Titanic, pela forma como a história é abordada.

Mila: É verdade, apesar de o filme ser longo a gente nem sente a hora passar, mesmo em cinemas como os daqui de Maceió. Aqui, você vai escorregando na cadeira, porque não tem mais espuma, até que a coluna começa a doer! O filme conta a história de um bebê que nasce velho e ao longo dos anos ele vai rejuvenescendo. Só que, no meio do caminho, ele se apaixona por uma menina que corresponde ao seu amor.

Vitor: E a gente acompanha o seu amadurecimento diferenciado.

Mila: Enfim, o filme é um romance, mas que tem uma pitada de comédia e de drama, resultando em receita infalível! Além do mais, o Brad e a Cate estão maravilhosos. Brad está cada vez melhor, concordo com você quando você diz que ele está no auge de sua carreira, fazendo papéis bem diferentes e interessantes!

Vitor: Não só na carreira, mas também como procriador...

Mila: Bem, vamos parar por aqui porque estou com medo de contar o filme, pois ele se explica por si próprio...

Vitor: De acordo. Só o que posso dizer é que é um filme, inusitado, e sensível, sobre a vida e as pequenas coisas que a tornam especial.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Crepúsculo // Twilight

Mila: Depois de muita resistência, acabei indo assistir ao tão falado Crepúsculo (Twilight). Confesso que gostei, confesso também que estava com um preconceito já bem formado. Ficha técnica, antes de mais nada, Vitor.

Vitor: Eu não sabia nada da historia pra ser sincero. Só sabia que era sobre vampiros. Falei sobre ele aqui. O filme foi dirigido por Catherine Hardwicke, que dirigiu Aos Treze e Os Reis de Dogtown e protagonizado por Kristen Stewart, como a Bella, e o Robert Pattinson, de Harry Potter, como a Fera, digo, como o vampiro. Ela é até boa atriz. Mediana. Mas ele é tenebroso. Canastrão mesmo! Ele e Keanu Reeves brigam no tapa pra ver quem é mais inexpressivo.

Mila: Bem, eu gosto muito do Keanu, mas você falou algo agora que me fez perceber que, realmente, ele faz sempre a mesma cara em todos os filmes! Hoje não durmo, perdi um ídolo.

Vitor: Eu gosto dos filmes que ele faz, assim como o Bruce Willis, mas não são bons atores... E chamam publico, que é o mais importante pras produtoras.

Mila: E o Fera, aí, foi bem inexpressivo mesmo, mas acho que tem um dedo da diretora nisso, não achei ele tão ruim no fantástico mundo de Harry Potter.

Vitor: Eu nem o vi no Harry Potter. Esses filmes de duendes, hobbits, gnomos, bruxa dos mares, eu tô fora. Mas não acho que tenha o dedo da diretora não. Ela consegue tirar boas atuações dos atores em todos os seus filmes. Principalmente no Aos Treze.

Mila: Esse aí, expressivo até demais. Assisti quando era mais nova e fiquei meio chocada! A atriz é a mesma do Across The Universe, não é?

Vitor: Sim. A Evan Rachel Wood, namorada do Marilyn Manson. Doente mental...

Mila: Aff, desencantei de outro artista que eu gostava.

Vitor: O filme que eu mais gosto dela e Correndo com Tesouras. Mas não faz parte do assunto. Voltemos ao filme.

Mila: O filme conta a história de uma menina normal que se apaixona por um vampiro bonzinho (daqueles que só matam animais), depois que ele salva a vida dela. É um romance bem legal. Depois ainda tem uma briguinha com um vampiro do mal (daqueles matam humanos) e acaba deixando um quero mais, ou seja, vem a continuação por aí. Mas o ponto central é que o amor não tem fronteiras (não, não é o filme da Jolie).

Vitor: A briguinha é muito sem graça e estraga o filme. Falando bem, a história poderia ter se centrado apenas no romance e ter se tornado algo muito mais denso, bonito. Maaaaassssss, o que esse povo quer é $, então, tome continuações por ai!

Mila: Concordo. O bom do filme é que, em vez de ser um romance entre negros e brancos, entre pobres e ricos, colocou-se um humano e um vampiro. Acho que isso se deu por 2 motivos: primeiro porque dá dinheiro, pois aborrescente adora romances impossíveis; segundo, é uma forma de se colocar um exemplo absurdo (porque vampiros não existem, creio eu) para mostrar que o amor sincero não acontece só entre casais bonitos e ricos. Apesar de que o ator e a atriz são bem bonitos né!

Vitor: Sim. No livro me disseram que ela deveria se feia... Mas a atriz é bem acima da média.

Mila: Bem, considero um bom filme. Vale a pena ser visto! O dinheiro não vai ser mal gasto.

Vitor: Não. Eu gostei também, mas poderia ser melhor. Mas e filme pra adolescente. Tem que ter uns clichezinhos pra agradar o publico alvo.

Mila: É verdade.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Queime depois de ler // Burn after Reading

Mila: Olá, querido amigo! Como foi de natal?

Vitor: Fui bem querida amiga! Mas isso não vem ao caso. Vamos ao filme.

Mila: Ficha técnica!

Vitor: Queime Depois De Ler... Já falei sobre ele aqui. Roteiro e direção dos irmãos Coen, Que já fizeram, Fargo e Onde Os Fracos Nao Tem Vez. No elenco, George Clooney, Brad Pitt, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton e Richard Jenkins. Esse lindo cartaz ao lado é uma releitura dos cartazes feitos pelo Saul Bass, que fazia todos os filmes do Hitchcock.

Mila: A história é sobre uma mulher e um homem que trabalha em uma academia de ginástica e acham um CD. Acreditando que este CD pertence a alguém da CIA ou do FBI e que contém informações confidenciais, eles tentam subornar o dono do CD.

Vitor: Na verdade o dono trabalhava na CIA. Eles supuseram que o conteúdo do CD era importante par espionagem. E resolveram tirar um lucro em cima disso.

Mila: Paralelamente, o dono do CD, que é um ex-agente da CIA, foi colocado para fora porque bebia demais e por isso resolveu escrever um livro com tudo o que sabia. Ele, além de tudo, é traído pela mulher. A partir daí, desenrola-se uma série de acontecimentos. Bem, o filme é para ser uma comédia. Eu gostei do filme, mas ainda não decidi se amei ou se apenas gostei.

Vitor: O filme é uma comedia de humor negro. Na verdade eu acho que ele foi desmembrado pelo comportamento explosivo, descontrolado dele (a traição da mulher nem é tão relevante porque ele nunca fica sabendo). O CD vai parar nas mãos do Brad e da Francis, que são completamente atrapalhados. Ela é obcecada com a idéia de fazer plásticas, e ele é um verdadeiro pateta. O George Clooney entra na história como o adultero paranóico que sente necessidade de manter casos com diversas mulheres. Na verdade isso se dá pelas suas paranóias. Ele acaba achando que esta sendo perseguido ou que elas estão tramando algo contra ele.

Mila: Pois é. Eu achei graça em algumas partes, mas em outras eu achei o filme meio parado. Mas vamos combinar que Brad de pateta ficou muito bom!

Vitor: Ele tem ótimo timing cômico. Sempre mostrou isso. Por ele ser galã as pessoas sempre o rotulam. Ele não é um Jack Nicholson, mas é bom ator, sim.

Mila: Concordo! Mas você gostou ou não do filme?

Vitor: Gostei sim. Muito mais do que anterior, que ganhou o Oscar.

Mila: Qual foi o anterior?

Vitor: Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Mila: Vixe, esse aí ninguém merece: muito bom; até o final!

Vitor: Eu ate gostei do fim, mas achei parado demais. Monótono. O melhor filme deles pra mim continua sendo Fargo. Esse sim, excepcional. Faz o mesmo estilo de humor negro desse.

Mila: É, esse comentário eu vou ficar devendo!

Vitor: Veja esse. Muito bom. É com a Francis também. Ganhou 2 Oscar em 97. Melhor roteiro e melhor atriz. Perdeu melhor filme para o Paciente Inglês, que eu adoro também, mas muitos acham monótono e longo demais. Eu prefiro Fargo, mas adoro os dois.

Mila: Adorei o Paciente Inglês também. Muito bom! Vale à pena conferir. Já o Fargo eu vou providenciar, pois nunca assisti! Bem, acho que ficamos por aqui.

Vitor: Mais algum comentário de filme, em breve, neste blog bem perto de você!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rede De Mentiras // Body Of Lies

Vitor: Bom, Rede de Intrigas é um filme do Riddley Scott, diretor de Hollywood muito famoso. Como eu disse no meu blog (veja aqui), eu já vi diversos filmes dele, mas só gostei mesmo de Blade Runner e Thelma e Louise.
Dessa vez ele trata de um tema que eu detesto. Conflito no Oriente Médio e ação anti-terror. Acho ambos os lados maléficos e nocivos, então não me identifico com nenhum dos lados, e não consigo engolir a tentativa de transformar algum deles em herói. Porque nenhum deles são.

Mila: Bem, eu gostei de alguns filmes, como Hannibal e Falcão Negro em Perigo, não assisti nehum dos outros (Até o Limite da Honra, "os" Aliens nem Cruzada), já O Gângster eu não gostei muito não. Para mim, ele pareceu o Meu Nome Não é Johnny só que filmado em Hollywood.

Vitor: Falcão Negro em Perigo é um lixo!Filme bélico pró-americano nojento.

Mila: É, tem muito tempo que assisti e na época eu gostava de filme de guerra independente da mensagem, acho que nem prestei muita atenção na mensagem quando assisti.

Vitor: Nunca gostei de filme de guerra. Acho que só Nascido Em Quatro De Julho e O Resgate do Soldado Ryan, mais pela história paralela, do que pela guerra. A tentativa de salvar o outro irmão pra não deixar a mãe sozinha lá na terra da liberdade. Achei bonito esse empenho. E o filme não entra no mérito de julgar quem era certo e quem era errado na guerra.


Mila: Pode ser. Também adorei o do Soldado Ryan, mas esse Nascido Em Quatro de Julho eu nunca assisti, apesar de várias pessoas terem me falado bem dele.

Vitor: O filme do Quatro de Julho tem dois lados, duas metades bem distintas.

Mila: Bem, o que acho é que quando alguém faz um filme e parece dar certo, repetem o mesmo estilo de filme dezenas de vezes. Tenha dó.
Até que esse foi bonzinho porque, no meu ponto de vista, ele critica os burocratas que ficam colocando os coitados dos soldados nas guerras de petróleo e, principalmente, porque não vi a bandeira dos Estados Unidos hasteada enquanto um "herói" salvava alguém.

Vitor: Nem tenho muito mais o que falar. Só que não gostei, como já disse e expliquei antes. Nem o elenco bom (Russel Crowe e Leonardo DiCaprio) salva o filme pra mim.

Mila: Hum, eu discordo em parte. Não gostei nem desgostei, mas gostei de ver o Leonardo DiCaprio atuando. Para mim ele atingiu o ápice dele com Os Infiltrados e nesse filme ele mostrou de novo que não é só mais um rostinho bonito. Isso vindo de quem já estava enjoada de ver ele fazendo carinha de bonzinho e de galã.

Vitor: Eu nunca achei isso. Ele sempre foi bom ator desde criança. Fez Gilbert Grape, Diário de Adolescente, mas Titanic impregnou na mente das pessoas. Mesmo depois de Titanic, ele fez muitos filmes em que ele não era galã nem mocinho como A Praia e Prenda-me Se For Capaz. A Praia é um lixo.

Mila: Exatamente. Eu amei o Diário de um Adolescente e amei a atuação dele. Mas Titanic...

Vitor: Titanic é ótimo. E ele está bem no papel proposto.

Mila: Também achei. Filmezinho sem pé nem cabeça, A Praia. Eu gostei do Titanic, mas ficou tão em evidência e repetiu tanto na televisão que enjoei um pouco. Enfim, concordamos que ele é bom ator, isso é o que importa.

Vitor: Porque Titanic é muito emotivo e longo demais. E virou pop demais, símbolo de superproduçõ, caça-níqueis. Mas o elenco é ótimo e um filme bem produzido. Diferente do Senhor dos Anéis, que também é bem produzido e tem um elenco meia-boca.

Mila: Paremos por aqui que já estamos discutindo sobre outro filme e porque eu gostei do Senhor dos Anéis. Achei a produção muito boa, do elenco não posso falar mesmo, até porque o filme não exige grandes esforços.

Vitor: Sem contar no roteiro... Titanic fala de um romance, luta de classes em meio a uma tragédia. E como o amor perdura no tempo.O outro lá fala da velha luta do bem contra o mal. Nada que Jaspion ou Power Rangers não tenham tratado antes... Tem no meu blog.

Mila: Bem, são filmes diferentes, um foi baseado em uma história real e o outro é totalmente fictício. Acho meio difícil de comparar.

Vitor: Hã? Não, não. Titanic é fictício, a tragédia foi real, o resto não. E a história do filme pode trazer diversas discussões, enquanto O Senhor dos Anéis só serve pra exercitar a libido de adolescentes jogadores de RPG.

Mila: Eu quis dizer a tragédia mesmo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Eu já entendi que você não gostou do "Lord de Anéis". Não falo da história dele, mas falo dos efeitos especiais do filme, por exemplo, que são muito bons. O filme tem seus méritos.

Vitor: Tem sim, os cenários são lindos.

Um Beijo Roubado // My Blueberry Nights

Mila: Vitor, querido, a quanto tempo!

Vitor: Verdade, querida! Que ventos bons te trouxeram?

Mila: O de sempre, a paixão de escrever (besteira). Ficha técnica primeiro, aliás devemos tornar isso uma regra a partir de agora: ficha técnica primeiro.

Vitor: O filme é do diretor chinês Kar-Wai Wong. Ele já fez vários filmes bastante cultuados. Como eu não gosto de filmes orientais (normalmente por desavenças culturais, ideológicas),só vi um deles, para poder discutir com uma amiga minha, o Happy Together. Não gostei desse. Beijo Roubado é o primeiro filme dele com atores ocidentais e é estrelado pela cantora Norah Jones e pelo Jude Law.

Mila: E também pela Natalie Portman e Rachel Weisz.

Vitor: E o David Stratharn. Agora fale o que você achou. Já faz tanto tempo que eu vi... Até escrevi sobre ele aqui.

Mila: Eu assisti em casa. Daí comecei a assistir em um dia e terminei no outro porque meu querido namorado estava quase dormindo, aí "abortamos a operação". Mas achei legal, nada muuuuito diferente, mas um filme bom de se assistir. Só não espere maiores surpresas dele.

Vitor: O ponto de vista oriental é diferenciado. O romantismo deles é diferente. Eles dão muita importância a gestos, a forma de olhar, se mover, muitas vezes falam mais que palavras. Os orientais são bons de captar esses sinais.

Mila: Bem, eu não consegui captar isso não, só agora que você falou. Achei que fosse apenas um filme contando uma história específca da Lyzzie. Até concordo viu, é que eu ainda não entendo das diferenças entre filmes ocidentais e orientais, americanos e europeus, etc.

Vitor: E no filme, muitas das mensagens são passadas dessa maneira. Nada é muito verbalizado. Tem que se interpretar no comportamento das personagens. Todas elas expõem coisas pelos trejeitos. Quem está acostumado com os filmes orientais, acha que os atores ocidentais não foram muito bons. Não têm as mesmas expressões faciais, a mesma sensibilidade para passar a emoção que o filme propõe. Nem o público daqui está habituado para captar isso.

Mila: Obrigada pelo consolo! Enfim, eu gostei do filme, pelo menos têm algumas histórias paralelas, não é só o casalzinho o tempo inteiro. E você gostou ou não?

Vitor: Gostei sim. Achei sensível e interessante. “You say it best when you say nothing at all”.

Mila: Ow, tem um tempo que não escuto essa música, mas sempre a achei linda. E concordo plenamente com essa frase. E, Como diz o ditado, “um gesto vale mais que mil palavras”. Enfim, o enredo é o seguinte: garota sofre um desilusão quando o namorado a troca por outra. Vai a uma cafeteria, conhece o dono também "chef" e fica amiga dele.

Vitor: Pois é. E aí começam os gestos.

Mila: Ela decide sair da cidade para esquecer o antigo namorado e termina morando em milhares de cidades dos Estados Unidos e para cada lugar que ia mandava cartas para o amigo, Jeremy, contando como estava e como eram as cidades. Ele sempre respondia, mas todas voltavam pois quando chegavam ao destino, Lyzzie já havia mudado de cidade de novo. E o final todo mundo já sabe.

Vitor: Sabe não, porque o final, na verdade, é o começo.

Mila: Sim, sim, mas também não precisa esculhambar.

Vitor: E ficamos por aqui porque já falamos por demais. E vai acabar estragando pra quem não viu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ensaio Sobre A Cegueira // Blindness


Vitor: Então, parta logo para a ignorância.

Mila: Que ignorância?

Vitor: Affff. Comece logo a discussão!

Mila: (RISOS) Geralmente eu deixo para assistir aos filmes depois que leio o livro. Por isso, ainda não vi Primo Basílio nem O Caçador de Pipas. Eu estava tentando fazer o mesmo com este aqui, mas a polêmica ao meu redor foi tamanha que não resisti.

Vitor: Qual polêmica?

Mila: A mesma de sempre: uns adoram e outros odeiam. Isso se deve à cabeça fechada das pessoas. Hoje, estava lendo uma reportagem sobre como os alagoanos são "descansados" em termos de fazer críticas.


Vitor: Eu acho que o brasileiro em geral é assim.

Mila: As pessoas só assistem o mesmo gênero de filme, ouve o mesmo tipo de música e não expandem seus horizontes. Obviamente há exceções.

Vitor: Humm... Agora cut this shit e fale do filme! Eu já falei sobre ele aqui.

Mila: Eu gostei demais do filme. Provavelmente, amarei o livro.

Vitor: Eu também. Nos Estados Unidos, torceram muito o nariz para ele. Em Cannes, também. Há também movimentos de cegos reclamando da imagem que o filme passa: que cego é inútil, inválido. Não lembro quais os outros argumentos que eles usaram.

Mila: Os americanos são parecidos com os brasileiros. Eles demoram demais a reconhecer talentos quando não se trata das coisas que vivem assistindo, escutando... As pessoas têm preguiça de pensar. Quanto às reclamações dos cegos, bem, cada um tem seu gosto e capta as coisas de diferentes formas. Para mim, a imagem que o filme passa é de pessoas que enxergavam e que, de repente, se pegam sem ver mais nada a sua frente. E é impossível você ser auto-suficiente quando lhe é subtraída uma habilidade do dia para a noite. Soube que também estavam entrando com ações de danos morais por o filme denegrir a imagem dos "gordinhos", dizendo que o filme era preconceituoso.

Vitor: Enfim! Falemos do filme.

Mila: Parte técnica, por favor!

Vitor: O filme é dirigido por Fernando Meirelles, que fez Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel etc. O roteiro é uma adaptação feita por Bráulio Mantovani (também de Cidade de Deus) do livro de José Saramago. O elenco tem diversos atores bastante conhecidos do público, como Julianne Moore (As Horas, Evolução, Os Esquecidos, Longe do Paraíso), Mark Ruffalo (Em Carne Viva, E Se Fosse Verdade, De Repente 30), o mexicano Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta, O Crime do Padre Amaro, Má Educação), Danny Glover (A Cor Púrpura, Máquina[s] Mortífera[s]), entre outros. O filme foi filmado em São Paulo, Montevidéu e Toronto. A história é basicamente sobre uma epidemia de cegueira branca que toma conta de uma cidade não especificada e, aparentemente, do mundo também.

Mila: Um homem fica cego e, daí por diante, as pessoas que tiveram contato com ele vão ficando cegas e assim continua. Ninguém consegue achar sequer a causa da doença, até porque a cegueira causada por doença é uma cegueira preta quando se vê tudo preto e esta é uma cegueira branca. Assim, também não acham a cura. Acontece que mais e mais pessoas vão ficando cegas. O governo começa a internar as pessoas em lugares isolados, para que fiquem em quarentena, pois há grandes suspeitas de que a doença é contagiosa.

Vitor: As autoridades, temendo o contágio da doença, isolam os contaminados em galpões abandonados.

Mila: A história se passa em um desses galpões, onde foram colocadas as primeiras pessoas “infectadas”. E cada vez mais pessoas são colocadas lá, de modo que o lugar vira uma bagunça(nojento), cada vez mais caótico. Acontece que no meio dessa multidão de cegos está uma mulher que enxerga, mas que se passa por cega para ficar ao lado do marido.

Vitor: Lá as ordens de organização social são desprezadas, levando as pessoas a se valerem dos seus instintos de sobrevivência mais primitivos.
Eu assisti a esse filme logo depois de ver O Nevoeiro. E ambos lidam com temas parecidos, apesar das diferentes abordagens: como as pessoas lidam com situações de caos e anarquia. E normalmente a visualização desse tipo de situação não é das mais animadoras.

Mila: Eu também. Quem não viu o filme eu aconselho que pare de ler aqui. Os dois são filmes filosóficos e psicológicos, e mexem com a nossa apatia. É psicológico porque dá a entender que a "cegueira" é uma doença psicológica, criada pelo terror que as pessoas têm do desconhecido. Sabe quando você vê alguém gripado e acha que vai ficar gripado! É isso. E é filosófico em dois pontos: um, ele faz a gente se questionar sobre o que você faria se você conseguisse ver quando todas as outras pessoas estão cegas. Você seria ético? Ajudaria aos outros? Ou tentaria dominar o mundo?

Vitor: Bom, e eu acho que a atitude da Julianne é muito passiva em detrimento da situação. Ela poderia ter tomado controle de tudo, mesmo sem revelar que enxergava.

Mila: Dois, nos faz pensar nos sistemas totalitários, manipulação de informações, mensagens subliminares. O que leva a eventos como o nazismo e o que ocorre hoje nos EUA com esse medo do resto do mundo (o governo investe pesado em propagandas patrióticas conjuntas com a fomentação do medo da própria população com relação aos outros povos. Inclusive é assim que eles conseguem “ibope” para fazer as lucrativas guerras).

Vitor: Vou menos nesse ponto. Acho que o filme desperta sim diversas discussões. Acho que diversos filmes fazem isso, senão não haveria quem gostasse e odiasse uma mesma produção. Mas acho que a gente apontar todas elas (as interpretações), meio que inibe as outras pessoas de formarem suas próprias opiniões.

Mila: É, mas nós somos críticos e temos de explicar porque achamos algo bom ou ruim. E espero que cada um consiga formar a sua própria opinião, até porque eu gosto de ver pontos de vista diferentes.

Vitor: Bom, achei o filme interessante por abordar um tema semelhante ao do O Nevoeiro, mas com tratamentos diferenciados.

Mila: Você gosta é de ver o circo pegar fogo (risos).

Vitor: Gosto mesmo. A vida seria muito boring sem um circo pegando fogo, sem palhaço dando sinal! ACUDA! ACUDA! ACUDA...

Mila: Acho que de circo pegando fogo em filme já estamos bem servidos. Na vida real, nem se fala.

Vitor: Sem mais declarações! Tico e Teco, Felícia e Mafalda estão estafados por hoje...