terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Queime depois de ler // Burn after Reading

Mila: Olá, querido amigo! Como foi de natal?

Vitor: Fui bem querida amiga! Mas isso não vem ao caso. Vamos ao filme.

Mila: Ficha técnica!

Vitor: Queime Depois De Ler... Já falei sobre ele aqui. Roteiro e direção dos irmãos Coen, Que já fizeram, Fargo e Onde Os Fracos Nao Tem Vez. No elenco, George Clooney, Brad Pitt, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton e Richard Jenkins. Esse lindo cartaz ao lado é uma releitura dos cartazes feitos pelo Saul Bass, que fazia todos os filmes do Hitchcock.

Mila: A história é sobre uma mulher e um homem que trabalha em uma academia de ginástica e acham um CD. Acreditando que este CD pertence a alguém da CIA ou do FBI e que contém informações confidenciais, eles tentam subornar o dono do CD.

Vitor: Na verdade o dono trabalhava na CIA. Eles supuseram que o conteúdo do CD era importante par espionagem. E resolveram tirar um lucro em cima disso.

Mila: Paralelamente, o dono do CD, que é um ex-agente da CIA, foi colocado para fora porque bebia demais e por isso resolveu escrever um livro com tudo o que sabia. Ele, além de tudo, é traído pela mulher. A partir daí, desenrola-se uma série de acontecimentos. Bem, o filme é para ser uma comédia. Eu gostei do filme, mas ainda não decidi se amei ou se apenas gostei.

Vitor: O filme é uma comedia de humor negro. Na verdade eu acho que ele foi desmembrado pelo comportamento explosivo, descontrolado dele (a traição da mulher nem é tão relevante porque ele nunca fica sabendo). O CD vai parar nas mãos do Brad e da Francis, que são completamente atrapalhados. Ela é obcecada com a idéia de fazer plásticas, e ele é um verdadeiro pateta. O George Clooney entra na história como o adultero paranóico que sente necessidade de manter casos com diversas mulheres. Na verdade isso se dá pelas suas paranóias. Ele acaba achando que esta sendo perseguido ou que elas estão tramando algo contra ele.

Mila: Pois é. Eu achei graça em algumas partes, mas em outras eu achei o filme meio parado. Mas vamos combinar que Brad de pateta ficou muito bom!

Vitor: Ele tem ótimo timing cômico. Sempre mostrou isso. Por ele ser galã as pessoas sempre o rotulam. Ele não é um Jack Nicholson, mas é bom ator, sim.

Mila: Concordo! Mas você gostou ou não do filme?

Vitor: Gostei sim. Muito mais do que anterior, que ganhou o Oscar.

Mila: Qual foi o anterior?

Vitor: Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Mila: Vixe, esse aí ninguém merece: muito bom; até o final!

Vitor: Eu ate gostei do fim, mas achei parado demais. Monótono. O melhor filme deles pra mim continua sendo Fargo. Esse sim, excepcional. Faz o mesmo estilo de humor negro desse.

Mila: É, esse comentário eu vou ficar devendo!

Vitor: Veja esse. Muito bom. É com a Francis também. Ganhou 2 Oscar em 97. Melhor roteiro e melhor atriz. Perdeu melhor filme para o Paciente Inglês, que eu adoro também, mas muitos acham monótono e longo demais. Eu prefiro Fargo, mas adoro os dois.

Mila: Adorei o Paciente Inglês também. Muito bom! Vale à pena conferir. Já o Fargo eu vou providenciar, pois nunca assisti! Bem, acho que ficamos por aqui.

Vitor: Mais algum comentário de filme, em breve, neste blog bem perto de você!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Rede De Mentiras // Body Of Lies

Vitor: Bom, Rede de Intrigas é um filme do Riddley Scott, diretor de Hollywood muito famoso. Como eu disse no meu blog (veja aqui), eu já vi diversos filmes dele, mas só gostei mesmo de Blade Runner e Thelma e Louise.
Dessa vez ele trata de um tema que eu detesto. Conflito no Oriente Médio e ação anti-terror. Acho ambos os lados maléficos e nocivos, então não me identifico com nenhum dos lados, e não consigo engolir a tentativa de transformar algum deles em herói. Porque nenhum deles são.

Mila: Bem, eu gostei de alguns filmes, como Hannibal e Falcão Negro em Perigo, não assisti nehum dos outros (Até o Limite da Honra, "os" Aliens nem Cruzada), já O Gângster eu não gostei muito não. Para mim, ele pareceu o Meu Nome Não é Johnny só que filmado em Hollywood.

Vitor: Falcão Negro em Perigo é um lixo!Filme bélico pró-americano nojento.

Mila: É, tem muito tempo que assisti e na época eu gostava de filme de guerra independente da mensagem, acho que nem prestei muita atenção na mensagem quando assisti.

Vitor: Nunca gostei de filme de guerra. Acho que só Nascido Em Quatro De Julho e O Resgate do Soldado Ryan, mais pela história paralela, do que pela guerra. A tentativa de salvar o outro irmão pra não deixar a mãe sozinha lá na terra da liberdade. Achei bonito esse empenho. E o filme não entra no mérito de julgar quem era certo e quem era errado na guerra.


Mila: Pode ser. Também adorei o do Soldado Ryan, mas esse Nascido Em Quatro de Julho eu nunca assisti, apesar de várias pessoas terem me falado bem dele.

Vitor: O filme do Quatro de Julho tem dois lados, duas metades bem distintas.

Mila: Bem, o que acho é que quando alguém faz um filme e parece dar certo, repetem o mesmo estilo de filme dezenas de vezes. Tenha dó.
Até que esse foi bonzinho porque, no meu ponto de vista, ele critica os burocratas que ficam colocando os coitados dos soldados nas guerras de petróleo e, principalmente, porque não vi a bandeira dos Estados Unidos hasteada enquanto um "herói" salvava alguém.

Vitor: Nem tenho muito mais o que falar. Só que não gostei, como já disse e expliquei antes. Nem o elenco bom (Russel Crowe e Leonardo DiCaprio) salva o filme pra mim.

Mila: Hum, eu discordo em parte. Não gostei nem desgostei, mas gostei de ver o Leonardo DiCaprio atuando. Para mim ele atingiu o ápice dele com Os Infiltrados e nesse filme ele mostrou de novo que não é só mais um rostinho bonito. Isso vindo de quem já estava enjoada de ver ele fazendo carinha de bonzinho e de galã.

Vitor: Eu nunca achei isso. Ele sempre foi bom ator desde criança. Fez Gilbert Grape, Diário de Adolescente, mas Titanic impregnou na mente das pessoas. Mesmo depois de Titanic, ele fez muitos filmes em que ele não era galã nem mocinho como A Praia e Prenda-me Se For Capaz. A Praia é um lixo.

Mila: Exatamente. Eu amei o Diário de um Adolescente e amei a atuação dele. Mas Titanic...

Vitor: Titanic é ótimo. E ele está bem no papel proposto.

Mila: Também achei. Filmezinho sem pé nem cabeça, A Praia. Eu gostei do Titanic, mas ficou tão em evidência e repetiu tanto na televisão que enjoei um pouco. Enfim, concordamos que ele é bom ator, isso é o que importa.

Vitor: Porque Titanic é muito emotivo e longo demais. E virou pop demais, símbolo de superproduçõ, caça-níqueis. Mas o elenco é ótimo e um filme bem produzido. Diferente do Senhor dos Anéis, que também é bem produzido e tem um elenco meia-boca.

Mila: Paremos por aqui que já estamos discutindo sobre outro filme e porque eu gostei do Senhor dos Anéis. Achei a produção muito boa, do elenco não posso falar mesmo, até porque o filme não exige grandes esforços.

Vitor: Sem contar no roteiro... Titanic fala de um romance, luta de classes em meio a uma tragédia. E como o amor perdura no tempo.O outro lá fala da velha luta do bem contra o mal. Nada que Jaspion ou Power Rangers não tenham tratado antes... Tem no meu blog.

Mila: Bem, são filmes diferentes, um foi baseado em uma história real e o outro é totalmente fictício. Acho meio difícil de comparar.

Vitor: Hã? Não, não. Titanic é fictício, a tragédia foi real, o resto não. E a história do filme pode trazer diversas discussões, enquanto O Senhor dos Anéis só serve pra exercitar a libido de adolescentes jogadores de RPG.

Mila: Eu quis dizer a tragédia mesmo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Eu já entendi que você não gostou do "Lord de Anéis". Não falo da história dele, mas falo dos efeitos especiais do filme, por exemplo, que são muito bons. O filme tem seus méritos.

Vitor: Tem sim, os cenários são lindos.

Um Beijo Roubado // My Blueberry Nights

Mila: Vitor, querido, a quanto tempo!

Vitor: Verdade, querida! Que ventos bons te trouxeram?

Mila: O de sempre, a paixão de escrever (besteira). Ficha técnica primeiro, aliás devemos tornar isso uma regra a partir de agora: ficha técnica primeiro.

Vitor: O filme é do diretor chinês Kar-Wai Wong. Ele já fez vários filmes bastante cultuados. Como eu não gosto de filmes orientais (normalmente por desavenças culturais, ideológicas),só vi um deles, para poder discutir com uma amiga minha, o Happy Together. Não gostei desse. Beijo Roubado é o primeiro filme dele com atores ocidentais e é estrelado pela cantora Norah Jones e pelo Jude Law.

Mila: E também pela Natalie Portman e Rachel Weisz.

Vitor: E o David Stratharn. Agora fale o que você achou. Já faz tanto tempo que eu vi... Até escrevi sobre ele aqui.

Mila: Eu assisti em casa. Daí comecei a assistir em um dia e terminei no outro porque meu querido namorado estava quase dormindo, aí "abortamos a operação". Mas achei legal, nada muuuuito diferente, mas um filme bom de se assistir. Só não espere maiores surpresas dele.

Vitor: O ponto de vista oriental é diferenciado. O romantismo deles é diferente. Eles dão muita importância a gestos, a forma de olhar, se mover, muitas vezes falam mais que palavras. Os orientais são bons de captar esses sinais.

Mila: Bem, eu não consegui captar isso não, só agora que você falou. Achei que fosse apenas um filme contando uma história específca da Lyzzie. Até concordo viu, é que eu ainda não entendo das diferenças entre filmes ocidentais e orientais, americanos e europeus, etc.

Vitor: E no filme, muitas das mensagens são passadas dessa maneira. Nada é muito verbalizado. Tem que se interpretar no comportamento das personagens. Todas elas expõem coisas pelos trejeitos. Quem está acostumado com os filmes orientais, acha que os atores ocidentais não foram muito bons. Não têm as mesmas expressões faciais, a mesma sensibilidade para passar a emoção que o filme propõe. Nem o público daqui está habituado para captar isso.

Mila: Obrigada pelo consolo! Enfim, eu gostei do filme, pelo menos têm algumas histórias paralelas, não é só o casalzinho o tempo inteiro. E você gostou ou não?

Vitor: Gostei sim. Achei sensível e interessante. “You say it best when you say nothing at all”.

Mila: Ow, tem um tempo que não escuto essa música, mas sempre a achei linda. E concordo plenamente com essa frase. E, Como diz o ditado, “um gesto vale mais que mil palavras”. Enfim, o enredo é o seguinte: garota sofre um desilusão quando o namorado a troca por outra. Vai a uma cafeteria, conhece o dono também "chef" e fica amiga dele.

Vitor: Pois é. E aí começam os gestos.

Mila: Ela decide sair da cidade para esquecer o antigo namorado e termina morando em milhares de cidades dos Estados Unidos e para cada lugar que ia mandava cartas para o amigo, Jeremy, contando como estava e como eram as cidades. Ele sempre respondia, mas todas voltavam pois quando chegavam ao destino, Lyzzie já havia mudado de cidade de novo. E o final todo mundo já sabe.

Vitor: Sabe não, porque o final, na verdade, é o começo.

Mila: Sim, sim, mas também não precisa esculhambar.

Vitor: E ficamos por aqui porque já falamos por demais. E vai acabar estragando pra quem não viu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ensaio Sobre A Cegueira // Blindness


Vitor: Então, parta logo para a ignorância.

Mila: Que ignorância?

Vitor: Affff. Comece logo a discussão!

Mila: (RISOS) Geralmente eu deixo para assistir aos filmes depois que leio o livro. Por isso, ainda não vi Primo Basílio nem O Caçador de Pipas. Eu estava tentando fazer o mesmo com este aqui, mas a polêmica ao meu redor foi tamanha que não resisti.

Vitor: Qual polêmica?

Mila: A mesma de sempre: uns adoram e outros odeiam. Isso se deve à cabeça fechada das pessoas. Hoje, estava lendo uma reportagem sobre como os alagoanos são "descansados" em termos de fazer críticas.


Vitor: Eu acho que o brasileiro em geral é assim.

Mila: As pessoas só assistem o mesmo gênero de filme, ouve o mesmo tipo de música e não expandem seus horizontes. Obviamente há exceções.

Vitor: Humm... Agora cut this shit e fale do filme! Eu já falei sobre ele aqui.

Mila: Eu gostei demais do filme. Provavelmente, amarei o livro.

Vitor: Eu também. Nos Estados Unidos, torceram muito o nariz para ele. Em Cannes, também. Há também movimentos de cegos reclamando da imagem que o filme passa: que cego é inútil, inválido. Não lembro quais os outros argumentos que eles usaram.

Mila: Os americanos são parecidos com os brasileiros. Eles demoram demais a reconhecer talentos quando não se trata das coisas que vivem assistindo, escutando... As pessoas têm preguiça de pensar. Quanto às reclamações dos cegos, bem, cada um tem seu gosto e capta as coisas de diferentes formas. Para mim, a imagem que o filme passa é de pessoas que enxergavam e que, de repente, se pegam sem ver mais nada a sua frente. E é impossível você ser auto-suficiente quando lhe é subtraída uma habilidade do dia para a noite. Soube que também estavam entrando com ações de danos morais por o filme denegrir a imagem dos "gordinhos", dizendo que o filme era preconceituoso.

Vitor: Enfim! Falemos do filme.

Mila: Parte técnica, por favor!

Vitor: O filme é dirigido por Fernando Meirelles, que fez Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel etc. O roteiro é uma adaptação feita por Bráulio Mantovani (também de Cidade de Deus) do livro de José Saramago. O elenco tem diversos atores bastante conhecidos do público, como Julianne Moore (As Horas, Evolução, Os Esquecidos, Longe do Paraíso), Mark Ruffalo (Em Carne Viva, E Se Fosse Verdade, De Repente 30), o mexicano Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta, O Crime do Padre Amaro, Má Educação), Danny Glover (A Cor Púrpura, Máquina[s] Mortífera[s]), entre outros. O filme foi filmado em São Paulo, Montevidéu e Toronto. A história é basicamente sobre uma epidemia de cegueira branca que toma conta de uma cidade não especificada e, aparentemente, do mundo também.

Mila: Um homem fica cego e, daí por diante, as pessoas que tiveram contato com ele vão ficando cegas e assim continua. Ninguém consegue achar sequer a causa da doença, até porque a cegueira causada por doença é uma cegueira preta quando se vê tudo preto e esta é uma cegueira branca. Assim, também não acham a cura. Acontece que mais e mais pessoas vão ficando cegas. O governo começa a internar as pessoas em lugares isolados, para que fiquem em quarentena, pois há grandes suspeitas de que a doença é contagiosa.

Vitor: As autoridades, temendo o contágio da doença, isolam os contaminados em galpões abandonados.

Mila: A história se passa em um desses galpões, onde foram colocadas as primeiras pessoas “infectadas”. E cada vez mais pessoas são colocadas lá, de modo que o lugar vira uma bagunça(nojento), cada vez mais caótico. Acontece que no meio dessa multidão de cegos está uma mulher que enxerga, mas que se passa por cega para ficar ao lado do marido.

Vitor: Lá as ordens de organização social são desprezadas, levando as pessoas a se valerem dos seus instintos de sobrevivência mais primitivos.
Eu assisti a esse filme logo depois de ver O Nevoeiro. E ambos lidam com temas parecidos, apesar das diferentes abordagens: como as pessoas lidam com situações de caos e anarquia. E normalmente a visualização desse tipo de situação não é das mais animadoras.

Mila: Eu também. Quem não viu o filme eu aconselho que pare de ler aqui. Os dois são filmes filosóficos e psicológicos, e mexem com a nossa apatia. É psicológico porque dá a entender que a "cegueira" é uma doença psicológica, criada pelo terror que as pessoas têm do desconhecido. Sabe quando você vê alguém gripado e acha que vai ficar gripado! É isso. E é filosófico em dois pontos: um, ele faz a gente se questionar sobre o que você faria se você conseguisse ver quando todas as outras pessoas estão cegas. Você seria ético? Ajudaria aos outros? Ou tentaria dominar o mundo?

Vitor: Bom, e eu acho que a atitude da Julianne é muito passiva em detrimento da situação. Ela poderia ter tomado controle de tudo, mesmo sem revelar que enxergava.

Mila: Dois, nos faz pensar nos sistemas totalitários, manipulação de informações, mensagens subliminares. O que leva a eventos como o nazismo e o que ocorre hoje nos EUA com esse medo do resto do mundo (o governo investe pesado em propagandas patrióticas conjuntas com a fomentação do medo da própria população com relação aos outros povos. Inclusive é assim que eles conseguem “ibope” para fazer as lucrativas guerras).

Vitor: Vou menos nesse ponto. Acho que o filme desperta sim diversas discussões. Acho que diversos filmes fazem isso, senão não haveria quem gostasse e odiasse uma mesma produção. Mas acho que a gente apontar todas elas (as interpretações), meio que inibe as outras pessoas de formarem suas próprias opiniões.

Mila: É, mas nós somos críticos e temos de explicar porque achamos algo bom ou ruim. E espero que cada um consiga formar a sua própria opinião, até porque eu gosto de ver pontos de vista diferentes.

Vitor: Bom, achei o filme interessante por abordar um tema semelhante ao do O Nevoeiro, mas com tratamentos diferenciados.

Mila: Você gosta é de ver o circo pegar fogo (risos).

Vitor: Gosto mesmo. A vida seria muito boring sem um circo pegando fogo, sem palhaço dando sinal! ACUDA! ACUDA! ACUDA...

Mila: Acho que de circo pegando fogo em filme já estamos bem servidos. Na vida real, nem se fala.

Vitor: Sem mais declarações! Tico e Teco, Felícia e Mafalda estão estafados por hoje...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Nevoeiro // The Mist

Mila: Enfim conseguimos nos encontrar para falarmos do polêmico "O Nevoeiro". Você estava meio relutante em assistir, mas depois se rendeu à polêmica, não é?

Vitor: Não. Nem sabia da polêmica. Não vi antes porque não tive oportunidade. Mas queria ver sim. Gostei. Foi até melhor do que eu esperava. (Veja crítica aqui)

Mila: Parecia que você não estava muito interessado. Bem, como você gosta e conhece muito da parte técnica, comece fazendo as honras.

Vitor: O filme é do Frank Darabond, diretor que eu gosto. É uma adaptação de um conto do Stephen King. Ele já adaptou algumas obras antes. Fez “À Espera de um Milagre” e “Um Sonho de Liberdade”. No elenco tem o Tom Jane, que fez “O Justiceiro” e a Marcia Gay Harden que ganhou Oscar por “Pollock” e fez “Sobre Meninos e Lobos”, “Na Natureza Selvagem”, etc..

Mila: Diga-se, de passagem, que a atuação dela neste filme foi magnífica. O seu personagem é essencial. Comecemos: O filme trata de um nevoeiro que invade uma pequena cidade. Se passa dentro de um supermercado, onde várias pessoas ficam encurraladas.

Vitor: Justamente.

Mila: Dentre as pessoas que ficam presas estão soldados e civis, religiosos fanáticos e céticos, mulheres e homens, crianças e velhos etc. Uma mistura nada boa em tempos de guerra. Imagine em tempos de pânico e caos total. Nós telespectadores vemos a história assim como uma daquelas pessoas que se encontram lá dentro.

Vitor: Eu mesmo não. Eu via de fora e não queria por dinheiro nenhum estar ali dentro. E quando começa aparecer mosquito de Itu, é que eu não queria meeeesmo. Mas o filme é muito interessante para mostrar como as pessoas reagem à falta de ordem, à anarquia de fato. Eu vejo várias formas de se interpretar o filme.

Mila: Concordo plenamente. Algumas pessoas prestam atenção no que não é tão importante, no fato de na Terra não haver aqueles bichos e acham o filme ruim por ser “mentiroso”. Mas acontece que essas pessoas não entendem sobre o que é o filme.

Vitor: E é aí que entra a louca religiosa, que consegue ganhar fiéis dos devaneios dela através do desespero alheio.

Mila: Isso. Ponto chave da trama. E é aí que entra uma grande crítica também.

Vitor: Mas eu não gostei muito que a compararam com Fidel Castro. Pra mim ela tá mais pra direita cristã americana, tipo a imbecil da Sarah Palin.

Mila: Ué, eu não vi essa crítica. Ainda bem.

Vitor: É só uma citação rápida.

Mila: Concordo quanto à direita cristã e ainda acrescentaria os mulçumanos e seus homens-bomba. E também essas igrejas protestantes que só querem ganhar dinheiro. Tem uma a cada esquina. E sempre surgindo mais.

Vitor: Pra mim todas elas são um pouco disso. A igreja católica até a Idade Moderna era assim. Caça as bruxas e tal. Todas elas de uma forma são uma maneira de discriminar e vender falsas soluções para a vida das pessoas.

Mila: É um golpe muito baixo a religião se utilizar da fraqueza das pessoas para ganhar poder. Principalmente quando se usa a fé como arma, no sentido bélico da palavra mesmo.

Vitor: A maioria já foi assim. A dela não era algo puramente intencional, porque ela vivia naquela obsessão e acabou se envolvendo numa situação onde houve quem prestasse atenção nela, devido às circunstâncias. As igrejas das esquinas fazem isso por dinheiro mesmo. É muito mais maniqueísta e calculista.

Mila: Pois é. Cada qual com seu objetivo maquiavélico, seja ele financeiro, bélico, moral. Cabe a nós diferenciar o que da religião é bom e o que tem cunho manipulador. E também acho que a fanática do filme não fez por mal. A meu ver, ela já era meio louca e controladora. À proporção que as coisas vão acontecendo ela vai acreditando cada vez mais na sua própria loucura e consegue que outras pessoas, aterrorizadas, acreditem nela.

Vitor: É mais ou menos isso.

Mila: Sei que a gente não deveria falar do final do filme. Mas essa é a parte mais polêmica do filme, principalmente para aqueles que leram o conto do "King", pois o 'DaraBOND" mudou o final do conto.

Vitor: Ele só deu uma continuidade no final do conto. Sinceramente eu não gosto exatamente de nenhum dos dois. O do conto é ameno. Mas o do filme tem mais coisas a passar.

Mila: Bem, achei o final meio sem nexo, meio forçado. Destoou do filme. Ficou americano demais.

Vitor: Não achei americano não. Não é reconfortante, nem apoteótico. Nada hollywoodiano. Muito mais parecido com filme europeu.

Mila: Achei americano sim com todos os soldados salvando o "mundo". Mas eu já sabia que a gente ia divergir nisso e não vamos mais sair daqui. Passaremos dias e noites discutindo isso.

Vitor: Aham... Eu continuo achando o filme nada hollywoodiano. É indigesto. Pra mim irritava pelo pouco uso da inteligência das personagens.

Mila: Ah, essa parte nem me fale. Eu estava a ponto de me levantar e gritar. Deixa a gente numa aflição só.

Momentos de silêncio...

Vitor: Cadê tu? O bicho do nevoeiro te pegou?

Mila: (risos e mais risos) Ainda não. Era bem fácil ele me pegar, não ia nem precisar se abaixar, me pegava aqui na janela (moro no 10º andar).

Vitor: Depende, qual deles: o polvo, a aranha, o pterodátilo, o mosquito...

Mila: Pois é tinha que ser um que voasse ou um tiranossauro! Enfim, o filme é muito bom e desperta uma discussão muito boa, interessante e sadia.

domingo, 7 de setembro de 2008

Na Natureza Selvagem // Into The Wild

Vitor: Então você viu Na Natureza Selvagem (Into The Wild). Eu já vi há algum tempo (Veja a crítica aqui). O que você achou?

Mila: Pois é, eu assisti ontem. Bem, gostei muito do filme em função da sua originalidade. Mas quanto à história em si, tenho algumas críticas:

Vitor: Original em quê? Biografia enlatada é o que mais tem por aí.

Mila: Era o que eu estava prestes a responder. Copiar um livro é sempre mais fácil. Mas é uma história diferente. Só que eu concordo com você quanto à revolta do garoto. Ele chega a ser contraditório nos seus próprios ideais.

Vitor: Quem leu o livro diz que faz mais sentido. Pelo filme eu achei que nada justifica o radicalismo dele. Problemas todos têm. Temos que saber lidar com eles. Quais as críticas que você tem:

Mila: O garoto é revoltadinho demais. Concordo que todos temos problemas e cada um lida de forma diferente com os acasos da vida. Mas esse menino, apesar de terem exaltado a sua inteligência, é ingênuo demais, muito imaturo.

Vitor: Exato.

Mila: Sua imaturidade se revela nas suas contradições: ele rasga o dinheiro e depois vai trabalhar para ganhar mais. Achei que ele fosse chegar no Alasca sem dinheiro algum. Segundo: Eu acho que seria bem mais interessante ele fazer o que fez simplesmente por seus ideais. Mas na verdade ele está fazendo por revolta contra os pais e tudo o que eles o fizeram passar.

Vitor: Bom, o filme tem seus méritos. A trilha sonora do Eddie Vedder (Pearl Jam) é ótima. A atuação do Emile Hirsch é excelente. O elenco em si é muito bom.

Mila: Ahhhhhhhh, com certeza. Minhas críticas são direcionadas mais ao defunto, que Deus o tenha.

Vitor: E é o primeiro filme do Sean Penn como diretor.

Mila: Hummm, esse detalhe eu não sabia!

Vitor: É um bom filme. Bem feito, bem produzido. Mas não assistiria de novo. A história não me cativa. Além de ser entediante. Meio longo demais.

Mila: Claro, uma vez já é suficiente. Pois é, eu gosto de ler ou assistir às histórias das vidas das pessoas, mas termino sempre discordando em algo.

Vitor: Ninguém é igual a gente pra concordarmos sempre também!

Mila: O problema é que quem conta um conto aumenta um ponto. Então, quando você lê a história de uma pessoa contada por outra, na verdade, você está lendo a história de duas pessoas compiladas em uma só. Por mais que tente ser imparcial, ela irá contar a história de acordo com suas impressões.

Vitor: Não concordo muito não. Dá pra ser meramente descritivo sim.

Mila: Quem tá de fora, às vezes vê melhor, mas sempre que vai reproduzir a história, vai fazê-lo de acordo com a sua percepção da história. Vamos ter vários exemplos disso neste blog. Ainda vamos discordar muito sobre um mesmo fato relatado em algum filme! Enfim, o filme vale à pena assistir sim, não é porque não concordamos com o revoltadinho que o filme é ruim. Ele tem idéias muito boas (com exceção da do dinheiro).

Vitor: Sua consumista...

Mila: Acho que por hoje é só!